Entrevistamos Andrea Sposito

Compartilhe

Como foi o início de sua carreira?

Descobri meu amor pelo Jazz aos 15 anos de idade, em Belém –PA, onde entrei em uma sala de aula por pura curiosidade e logo no primeiro movimento senti uma alegria que não cabia em mim, a partir daí, fui passando por fases de sentimentos, hobby...escolhas...dúvidas...entregas e finalmente a decisão... É ISSO QUE QUERO PARA MINHA VIDA...aos 24 anos de idade entrei em uma Cia profissional, onde a vida me cobrou a pura entrega da profissão, conheci Roseli Rodrigues, esta que me apresentou para o mundo da dança...que acreditou no meu potencial como bailarina, assistente, professora e coreógrafa e sem eu perceber ao mesmo tempo me ensinado a responsabilidade e a ética de ser uma diretora...

Qual seu contato com outras modalidades de dança?

Fiz por muitos anos, sapateado americano (minha outra grande paixão), onde sempre me acompanhou paralelamente com o Jazz e me trouxe muitas realizações, muitas conquistas também... ao dar inicio a profissionalização do Jazz, tive muitas experiências com Contemporâneo e Ballet Clássico, modalidades a qual contribuíram muito para meu desenvolvimento artístico e técnico... acredito na fidelização de um estilo para o desenvolvimento coreográfico e identidade mas, para enriquecimento gosto da mistura completamente diferente do meu dia a dia...

Quais são suas influências na dança?

Para ser uma influência em minha vida, primeiro eu preciso ter admiração, seja pessoa ou estilo, minha análise começa pelo pessoal e depois o profissional... não sei trabalhar ou me inspirar em pessoas que perdem o brilho da qualidade pela ganância ou algo desse tipo... pontos positivos e até os negativos contribuem para meu aprendizado e amadurecimento... Sou uma pessoa que gosta de procurar e se  interar de toda e qualquer modalidade... as  influências vem das minhas apreciações, das minhas curiosidades... como nomes de profissionais influentes em minha carreira, envolvidos em vários estilos, alguns deles:  Roseli Rodrigues ( a maior de todas), Luis Arrieta, Henrique Rodovalho, Ivonice Satie, Andrea Pivatto, Kika Sampaio, Toshie Kobayashi, Márcio Rongetti, Ricardo Tomazelli, entre outros...

Como você vê a vida do profissional de dança em nosso país?

Estamos vivendo um período difícil , tornando assim nossas lutas  e caminhos um pouco maiores, mas não impossíveis, acredito na dança, na sua sobrevivência... a crise econômica não nos impede de manter ela viva dentro de nós... para a sobrevivência de um profissional, é preciso muita garra, determinação, domínio físico e emocional, é nisso que me preocupa um pouco, pois vejo que o amor pela dança não está tão a frente mais nas pessoas... e é esse amor que nos dá força e resistência...a arte não depende apenas do dinheiro e sim da sua criatividade e coragem...Na dança nunca tivemos uma zona de conforto, portanto agora é pior ainda, penso que hoje em dia , precisamos ter um plano “B” paralelo a dança, é possível hoje em dia, conciliarmos nossa dança com a busca da sobrevivência em outras atividades e formações...

Qual sua opinião sobre os festivais competitivos de dança?

Os Festivais precisam ter a consciência do tamanho da responsabilidade do ensinamento e influência que passam para os participantes...portanto a seriedade na escolha de seus profissionais, em cursos, juris e organização... é preciso ter história, conteúdo e conhecimento na área que está entrando...acho uma grande contribuição para amadurecimento do coreógrafo e bailarinos, no sentido técnico e artístico...mas no meu ver ,esses serviços que os festivais oferecem não são valorizados pelos participantes, pois ele não pode ser visto apenas como premiação... a intenção de um festival é dividir conhecimentos...valorizar estilos...defino os serviços como:

Palco: trabalha-se a maturidade e artístico dos bailarinos e desenvolvimento do coreógrafo.

Cursos: É onde o aluno pode ter contato direto com o profissional, contribuindo com o crescimento técnico e ampliando sua qualidade, para um melhor aproveitamento ao seu próprio coreógrafo...

Juris: Correções muitas vezes apenas para o coreógrafo desenvolver sua qualidade.

Quanto aos coordenadores dos festivais precisam ter mais ética profissional, pois a ganância do ego e financeiro, estão substituindo o respeito por tradições, por anos de luta e a tolerância de um aprendizado a longo prazo.... ao invés de criarem suas histórias, estão querendo se criar em cima da história do antigo, a ponto de distribuir folders dentro do festival concorrente...isso é ético?  Nunca....

Acredito que todos tem a mesma oportunidade sim....mas o ano tem 365 dias...não preciso fazer na mesma data do outro né?

Como professora o que inspira em suas aulas?

Amo o que faço.., quando entro em uma sala onde as pessoas estão com brilho nos olhos, esperando ansiosamente o aprendizado é onde me transformo e me entrego para o rendimento...chegar no final da aula e me sentir completa com o conteúdo é gratificante demais....sou uma pessoa extremamente chata na cobrança da seriedade, disciplina e  resultado, não aceito enganação de aula, de professor ou aluno...

Qual a importância da graduação universitaria em dança na formação de um profissional de dança? 

Sou a favor de todo bailarino ter uma formação qualquer que seja...acredito na capacidade de conciliar áreas distintas e acho de extrema importância , pois a dança não está segura, portanto nosso futuro também precisa de uma precaução...nada pode ser radical, o bailarino não pode ficar apenas no intelecto e nem apenas no físico, a dança precisa de prática e a prática precisa do intelecto...

Como é o mercado da dança em sua cidade?

Hoje em dia tem muitas escolas de dança em São Paulo, poucas com qualidade, pois as pessoas abrem para ter uma sobrevivência e não para ensinar a dança... é uma responsabilidade muito grande ser dono de escola, para ser diretor precisa de vivência, saber ensinar e cobrar, nosso “LIVRO” precisa de páginas escritas e não em branco... Muitas escolas estão competindo com quantidade de alunos e não a qualidade, estão ensinando aos bailarinos as facilidades de pedir, de ganhar de não valorizar um profissional, dando bolsas integrais em troca de encher a sala, ao invés de ensinar a lutar pelo que quer e investir em sua carreira, mostrando que pagar um curso faz parte de seu crescimento, que um dia pode ser ele não ser valorizado...

Qual seu maior sonho profissional?

Hoje em dia tenho vários...o maior deles é poder dar qualidade profissional as pessoas, dar condições de trabalho aos bailarinos...poder continuar lutando, trabalhando cada vez mais pela dança, pela minha escola...realizar sonhos...

O que é a dança para você?

A dança me fez quem sou hoje, forte, persistente, positiva, justa... me ensinou que nada vem do céu, tudo é preciso correr e suar bastante...me acolheu quando eu precisava acalmar meu coração...se pronunciava nas vezes que eu quis mudar minha história com  minhas dúvidas...me mostrou que ela nunca me abandonará...ou seja, ela é minha realidade....