La Sylphide

Compartilhe

La Sylphide - por Natalia Samarino

Os contos Românticos recheavam o imaginário das elites e do povo no inicio do século XIX, passada a reviravolta da Revolução Francesa e em um clima político marcado pela confusão de ideais, esse tipo de literatura começou a fazer parte do cotidiano da população Europeia e principalmente francesa. Não seria diferente então no ballet; os contos eram, quase sempre, a maior fonte de inspiração dos libretistas.  E assim como de costume na década de 30 do século XIX, o pioneiro dos ballets Românticos, se baseia em um conto Fantástico de Charles Nodier : Trilby

La Sylphide  nasce inspirado em Trilby, e quem vai escrever esse belo libreto será um colega de palco de Taglioni, que havia estado com ela em Robert le diablo: Adolphe Nourrit. Era ele o tenor que representou Robert junto com Taglioni no ballet das Freiras, pois bem, tinha sua musa. Quem mais poderia interpretar uma fada do ar? Marie Taglioni representava a forma perfeita e tinha a nova técnica em pontas apurada para se tornar um ícone.  E de fato se tornou!

No dia 12 de março de 1832, com música de Jean-Madeleine Schneitzhoeffer e coreografia de Fillipo Taglioni, estreia na Salle Le Poletier da Ópera de Paris La Sylphide. Trazendo consigo uma carga cultural e espiritual das confabulações dos pensadores românticos da grande “era de ouro” que seria o século XIX.  O Libreto conta a história do jovem James um aldeão que no dia de seu noivado é assombrado por um espirito do ar, uma sylphide, e logo se entrega ao amor fugidio a essa entidade. Mas como em quase toda trama romântica, esse amor não pode ser concretizado, James e enganado por uma feiticeira e acaba por matar sua sylphide.  

Para viver a Syphide, Marie Taglioni teve que vestir não só o seu corpo, como também a sua alma. Ele carregava consigo as expectativas de como seria a musa ideal dos poetas, e a sua dança em pontas a colocaram num pedestal, no qual ela nunca seria tirada. Ali, com aquele ballet, ela se eternizaria e concretizaria a figura que temos até hoje da BAILARINA. Isso lhe custou levar uma vida totalmente dedicada à manutenção desta personagem casta e espiritual.

O sucesso foi inevitável, Taglioni triunfal como Sylphide e todos os poetas e literatos caíram aos pés da bailarina etérea que encarnava as aspirações ideais da época.  A Opera de Paris continuou com as apresentações da peça e em 1834 August Bournonville, coreógrafo do Teatro Imperial de Copenhague se encantou pela obra e a remontou para seu elenco.  É a versão de Bournonville, estreada em 28 de Novembro de 1836, com música de Herman Severin Løvenskiold, que se encontra entre as mais interpretadas na atualidade e na qual os direitos autorais são de domínio publico.

 Maria Taglioni foi a principal responsável pelo legado de La Sylphide, ela interpretou esse papel até se aposentar e o levou a variados teatros, de Londres a São Petersburgo. Em 1972 o coreógrafo e Historiador da dança Pierre Lacotte remontou La Sylphide a partir da versão de Filippo Taglioni  apresentado pela  Ópera de Paris. Para isso ele se baseou em notas, documentos e registro encontrados nos arquivos da Opera de Paris, um trabalho primoroso e árduo.  Para se remontar esse versão (como todas as outras remontagens de Lacotte: A filha do Faraó; Marco Espada; Ondine; etc ) é necessário autorização do coreógrafo e remontador credenciado, além de arcar com os direitos autorais.  

Ao se tentar reviver esse repertório devemos compreender a amalgama de sentimentos, a história do imaginário de sua época, e em que essa obra transcende o pensamento e as características do tempo histórico que se deu a estreia. Isso é muito importante para quem se aventure a remontar um ballet com um peso histórico como La Sylphide.

 

 

 

 

 

Ajude-nos a manter o trabalho da Dança Brasil!

Nosso jornalismo acompanha e divulga a arte da dança.

Está a serviço da arte da dança e da diversidade de opinião.

Há 27 anos, a Dança Brasil exercita o jornalismo transparente, fiel à verdade factual, atenta à diversidade cultural na área da dança.

Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores.

Faça parte da Dança Brasil! Assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica.

A arte da dança agradece.

Clique no link abaixo e faça sua assinatura anual por apenas R$ 55,00.

https://www.paypal.com/webapps/hermes?token=32F02702HK5524050&useraction=commit&mfid=1553687958902_64c5971e79a3b