Natália Samarino

Compartilhe

Entrevistamos a Bailarina, Coreografa Natália Samarino 

Quais são as lembranças do início de sua carreira?   

Iniciei na dança aos 10 anos em minha cidade natal (Contagem-MG) na escola de ballet do SESI, onde tive a oportunidade de aprender as primeiras lições de ballet Clássico. Aos 16 anos procurei me profissionalizar e tive que me mudar para Belo Horizonte, devido à precariedade do ensino de dança em Contagem, ingressando no ano seguinte na SESI Minas Cia de dança. Atuei na Cia de 2001 a 2005 e de 2005 a 2007 fui orientada pela Maitrê de Ballet Maria Clara Salles. Após esse período como bailarina, comecei a investir na carreira de professora de ballet e Historia da Dança. 

Como você vê a vida do profissional de dança no Brasil? 

É uma luta! O profissional de dança no Brasil tem que trabalhar em jornadas duplas, e muitas vezes triplas para sobreviver. As áreas de atuação são extremamente restritas e escassas levando a desistência de muitos talentos. O Brasil é um país rico em diversidade, no entanto, pobre politicamente em cultura e educação, eis o problema.  

Qual sua opinião sobre os festivais competitivos de dança?  

Creio que são necessários para alavancar a carreia de um bailarino (a), as criticas de grandes Nomes da área  são de extrema importância na vida de quem pretende seguir a carreira; mas acredito que muitos profissionais da dança não compreendem esse objetivo dos festivais e acabam adentrando em um ambiente tóxico para a arte, incentivando a competitividade doentia e a superficialidade na dança.  

Como professor o que  te inspira em suas aulas? 

O que mais me inspira é a pesquisa, a busca pelo conhecimento. Sou apaixonada pelo meu trabalho, entro em estado de felicidade a cada descoberta nas análises de documentos Históricos. Compartilhar esse conhecimento adquirido é o que mais me satisfaz como profissional, trocar ideias, conversar sobre a história da dança não só me inspira, como também, me instiga.

Como coreografa qual sua linha coreográfica e o que inspira em seus trabalhos?  

Na minha área de atuação, que é a História da Dança, busco analisar detalhadamente as versões dos repertórios para garantir fidelidade de estilo. Isso demanda muita pesquisa histórica e estudos filosóficos, literários acerca da estética.  Quando me aventuro em coreografar, sigo a mesma lógica de pesquisa, não consigo desvincular a criação e inspiração da pesquisa.  

Qual a importância da graduação universitária em dança na formação de um profissional de dança?  

Depende muito da área de atuação deste profissional. É de extrema importância para quem tem o desejo ser um pesquisador em dança o Bacharelado em Dança, como também, para aquele que quer aprofundar no ensino é necessário a Licenciatura. Já no caso de um Bailarino (a) que queira seguir uma carreira de intérprete, existem outros caminhos a serem traçados, como conservatórios e escolas de formação. No entanto, uma coisa não exclui a outra; é sempre bom buscar uma formação universitária e abrangente. 

O que é a dança para você?  

A Dança é uma arte que nos permite auto conhecer e ao mesmo tempo conhecer o meio sociocultural que estamos inseridos. Dançar é se ligar a algo maior, é comunicar e viver a arte na sua forma mais pura e atemporal. 

Saiba mais sobre  

Natália Samarino  é Bacharel e Licenciada em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Durante os anos de graduação foi destaque acadêmico em três períodos do curso de História e foi particularmente orientada pela professora Maria Virgínia Trindade Valadares no artigo "Johann Sebastian Bach como homem protestante do século XVIII na Alemanha e a expressão luterana em sua obra" (11/2004). Participou da "I Mostra de Música Brasileira e Latino-Americana" (5/2004), do Mini Curso de Literatura e Memória na Semana de História "A construção da mineiridade" (PROEX-PUC - 3/2003), da Semana de História "40 anos do Golpe Militar de 64" (3 e 4/2004) e foi selecionada para um curso com a arqueóloga Alenice Baeta, realizando um levantamento das atividades pré-históricas humanas na região de Pedro Leopoldo. Em sua monografia , "O Ballet Romântico na Cidade do Rio de Janeiro, dos anos de 1849 a 1860", recebeu a orientação de Caio Boschi e foi laureada com a pontuação máxima na monografia . Bailarina formada pela Royal Academy of Dance onde obteve em todos os Vocational Graded Examination in Dance o conceito Distinction. Atuou  como bailarina na Compahia de Dança SESI Minas de 2001 a 2005. Ministrou cursos de História da Dança no Ballet Mariana Lopes, Mostra Dança e no Intensivo de Dança curso de verão. Desenvolveu  um curso anual de História da Dança no Ballet Cristina Vaz. É diretora artística do Pas de Quatre  Centro de  Dança. 

Ajude-nos a manter o trabalho da Dança Brasil

Nosso jornalismo acompanha e divulga a arte da dança.

Está a serviço da arte da dança e da diversidade de opinião.

Há 27 anos Dança Brasil exercita o jornalismo transparente, fiel à verdade factual, atenta a diversidade cultural na area da dança.

Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores.

Faça parte da Dança Brasil assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica.

A arte da dança agradece.

Clique no link abaixo e faça sua assinatura anual apenas R$ 55,00

https://www.paypal.com/webapps/hermes?token=32F02702HK5524050&useraction=commit&mfid=1553687958902_64c5971e79a3b