Olga Roriz

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Entrevistamos Olga Roriz

 

Quais lembranças do início de sua carreira?

Eu sei que o início de uma carreira, usualmente, é contado a partir do momento em que começamos a dançar numa companhia profissional, que temos um contrato e pertencemos a essa companhia, no meu caso, o Ballet Gulbenkian. Porém as minhas primeiras apresentações públicas (já com um cachet) foram nas temporadas de opera do Teatro Nacional de São Carlos onde participei dos 10 aos 18 anos em variadíssimas produções desse Teatro, desde Norma a Joana D’Arc, Contos D’Hoffman, Rigolletto, Carmen, Medeia, Tanhauser e tantos outros. De todos eles me recordo dos figurinos, dos cheiros de muitas áreas, de alguns cantores e sobretudo de um estar atento e apaixonado. Das longas esperas num cantinho dos bastidores de olhos e ouvidos arregalados de espanto. Uma menina que vivia ao vivo os seus contos de fadas. Após ter entrado no Ballet Gulbenkian, já com 20 anos, o espanto torna-se inquietação, vontade, desejo e sobretudo procura. Uma noção muito clara de que a minha vida se começava a traçar,clarificando-se o caminho e o propósito.

Como você vê a vida do profissional de dança em Portugal?

Não é fácil, não. Um país sem uma política cultural, com um respeito pela cultura muito duvidoso, onde quem nos governa nada ou pouco percebe de dança e onde o apoio à cultura é minimizado, não pode ser fácil, não!

Qual sua opinião sobre os festivais competitivos de dança?

Ora aí está algo com o qual eu discordo em absoluto. A arte da dança não é (não pode nem deve ser) competitiva. A competitividade vem de dentro de cada um de nós, da nossa luta interior, da nossa procura individual, dessa vontade de nos encontrarmos e sermos melhores.

A dança não é um desporto! O virtuosismo não deve ser uma moeda de compra, não em relação à dança.

Salvaguardo algumas competições coreográficas.

Como coreografa o que inspira em suas montagens?

A vida, os homens e as mulheres, os conflitos, as tristezas, o amor e a morte,... eu mesma...

Como diretora qual o perfil de bailarinos que você prefere em sua companhia?

Pessoas com mundo interior, criativas, atentas, delicadas...

Qual a importância da graduação universitária em dança na formação de um profissional de dança?

A importância é relativa ao que se faz desse conhecimento. Não acho essencial. 

O que é a dança para você?

A dança foi o meu primeiro brinquedo, o meu primeiro segredo, o meu primeiro amor. Com ela eu cresci e reconheci-me como adolescente, com ela tornei-me diferente, tornei-me adulto. Foi neste corpo recriado dia a dia que entendi o meu propósito aqui, que descobri o meu lugar no espaço e no tempo, que me tornei intemporal, que aprendi a manipular a realidade, a minha e a dos outros. A dança é este poder pacífico que transforma o ar que nos separa e nos torna um pouco mais livres. A dança, creio, poderia salvar a humanidade.

Saiba mais sobre Olga Roriz

Teve como formação artística na área da Dança o curso da Escola de Dança do Teatro Nacional de S. Carlos com Ana Ivanova e o curso da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1976 integrou o elenco do Ballet Gulbenkian sob a direção de Jorge Salavisa, permanecendo até 1992 onde foi primeira bailarina e coreógrafa principal. Em Maio de 1992 assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa. Em Fevereiro de 1995 fundou a Companhia Olga Roriz, da qual é diretora e coreógrafa. O seu repertório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 100 obras. Criou e remontou peças para o Ballet Gulbenkian, Companhia Nacional de Bailado, Ballet Teatro Guaira (Brasil), Ballets de Monte Carlo, Ballet Nacional de Espanha, English National Ballet, American Reportory Ballet, Maggio Danza e Alla Scala. Internacionalmente os seus trabalhos foram apresentados nas principais capitais Europeias, assim como nos EUA, Brasil, Japão, Egito, Cabo Verde, Senegal e Tailândia. Tem um vasto percurso de criação de movimento para o Teatro e Ópera, bem como de encenação. Na área do cinema realizou três filmes, Felicitações Madame, A Sesta e Interiores.. Desde 1982 Olga Roriz é distinguida com relevantes prémios nacionais e estrangeiros. Entre eles destacam-se o 1º Prémio do Concurso de Dança de Osaka-Japão (1988), Prémio da melhor coreografia da Revista Londrina Time-Out (1993), Prémio Almada (2004), Condecoração com a insígnia da Ordem do Infante D. Henrique – Grande Oficial pelo Presidente da República (2004), Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores e Milleniumbcp (2008), Prémio da Latinidade (2012), Prémio Mulheres Mais Influentes de Portugal (edição de 2016) pela revista Executiva, e em Dezembro de 2017 a distinção Honoris Causa pela Universidade de Aveiro (distinção nas Artes). Em 2018 Prémio SPA Melhor coreografia. Em 2019 na Semana Arte Mulheres da Figueira da Foz e no Dia do Autor da SPA, prémios de carreira e medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores.

 

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