TRANS POINT

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BALÉ ‘TRANS POINT’, DE THIAGO SOARES, CHEGA A SÃO PAULO  NOS DIAS 26 E 27 DE JUNHO, NO TEATRO J SAFRA

 

Espetáculo marca o retorno de Thiago Soares aos palcos e também a estreia do projeto ‘Talentos’, criado pelo próprio Thiago, que assina a direção geral e coreografias. No dia 26 de junho, será possível assistir também através de transmissão online. Thiago recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da King´s College London, e será homenageado no espetáculo ‘Thiago Soares – um sonho real, o musical’

Transição. Transformação. Thiago Soares está em movimento. E não apenas no palco. Após dançar 18 anos no prestigioso Royal Ballet de Londres, decidiu tornar-se um artista independente, voltar para o Brasil e criar um centro de dança, o Studio TS + Dança, além do projeto ‘Talentos’. Esses novos passos levaram ao espetáculo ‘Trans Point – Art of fusion, que chega a São Paulo em duas apresentações nos dias 26 e 27 de junho, no Teatro J Safra.  No dia 26, o público também terá uma opção de assistir ao espetáculo através de live. A estreia nacional foi no Rio, em dezembro, e o sucesso foi tamanho que ele fez nova apresentação na cidade, no dia 16 de janeiro. 

O salto principal de Thiago foi rumo a um maior controle criativo de sua própria carreira. “Entendi que era o momento de assumir todas as etapas da minha história. Pensar no projeto que quero realizar, conceber a proposta artística, criar as coreografias, fazer as minhas escolhas. Como bailarino eu não tinha esse poder de decisão”, explica.

O Studio TS + Dança começou a funcionar no Rio em março de 2020, com aulas para bailarinos profissionais ou não. Dentre os artistas que procuraram a companhia, Thiago selecionou oito para compor o grupo especial do Projeto ‘Talentos’, com o qual desenvolveu o espetáculo ‘Trans Point’, que chega aos palcos pela primeira vez. Thiago assina a concepção, direção geral e coreografia do balé, além de estar em cena. “O ‘Trans Point’ é uma obra plástica, um espetáculo que fala sobre a nossa nova forma de fazer o que a gente já faz, os novos códigos, as diferentes possibilidades e aonde é que juntamos nossas linhas, jornadas e caminhos e, assim, podemos nos ajudar”.

O espetáculo é composto por sete atos: alguns mais curtos, com três, sete minutos de duração; outros mais longos, totalizando uma hora e vinte. O formato em si já aponta para um pensamento original na concepção de um balé, que tradicionalmente costuma ter, no máximo, três ou quatro atos. A intenção de Thiago é trabalhar com códigos diversos e propor uma nova forma de pensar um formato já cristalizado. Ele estará em cena em três atos: um solo, um dueto e um número coletivo. O solo conta com a participação especial do tenor Geilson Santos.

 

‘Trans Point’ é um mergulho coreográfico nas origens de Thiago Soares. Não à toa, tem como subtítulo ‘The art of fusion’. “É uma análise pessoal e traz todo o acervo de movimento que eu já tive o prazer de dançar até hoje. Elementos de capoeira, do street dance, da dança urbana, do balé clássico e de todos os códigos que eu já acessei”, explica. “Por ser uma análise pessoal coreográfica de movimento, conversa também com esse tempo que tivemos que acessar tudo o que temos, todo mundo que a gente gosta, que é relevante”, complementa.

Para Thiago Soares, ‘Trans Point’ não quer se ater a rótulos - seguindo uma tendência do momento da dança, que busca abrigar diferentes vertentes de expressão. O artista indaga se não seria uma nova forma de ver o clássico.  Ele propõe uma reflexão, mas busca suas próprias respostas: “estamos em um lugar mais democrático com relação ao movimento e um mundo mais globalizado, com alta tecnologia e todas essas possibilidades de troca. Concebi um espetáculo de dança com bailarinos profissionais e, sem dúvidas, os elementos básicos da dança clássica, o DNA está ali. Um bailarino que não tivesse os elementos da dança clássica não conseguiria fazer esse trabalho, porém propus vocabulários, palavras e elementos de outras fontes que são bem diferentes do balé clássico. Então, diria que é uma obra de dança contemporânea”.

Gestado em meio à pandemia, ‘Trans Point’ imprime esse instante no qual o mundo se encontra, lidando com o distanciamento físico. Nasceu em ensaios por vídeos e que foram retomados presencialmente com as devidas precauções sanitárias, mas ainda assim marcados por essa fase da impossibilidade do toque, das conversas esparsas, que tem a máscara como elemento essencial no convívio. “Esse momento influencia qualquer trabalho, não apenas na dança, mas de todas as pessoas. Acho que o espetáculo tem uma certa frieza, mas, ao mesmo tempo, é muito robusto emocionalmente e acredito que isso conversa muito com o que estamos passando”, reflete. “Hoje em dia, evitamos nos tocar e estamos de máscara. Temos, a todo tempo, o tabu do distanciamento social, mas, dentro de nós, tudo que a gente mais quer é abraçar alguém, beijar, fazer parte de um coletivo, seja uma festa, uma igreja, todas essas coisas que não podemos mais. ‘Trans point’ é também sobre essa restrição emocional que, de alguma forma, estamos tendo que aprender a lidar”, define.

A estreia é o marco definitivo do novo movimento do artista Thiago Soares. E ela vem justamente no instante no qual o mundo está em busca de respostas. O que fazer? Por que fazer?  No caso específico de Thiago, ele se questiona: por que dançar? O que busca dizer? “Hoje eu tenho a responsabilidade, como diretor do meu grupo, de escolher muito bem os temas que quero falar e o motivo de falar deles. Quem acompanha minha carreira sabe que eu sempre fui um artista muito lúdico, me agarrando em sonhos e jornadas surreais, que pudessem tornar-se realidade. Sempre estive sonhando na minha carreira e acho isso muito lindo. Contudo, nesse momento, a gente está num lugar muito orgânico, do coletivo, um verdadeiro choque de realidade. Então, eu senti que isso precisava estar evidente na minha dança e nos meus bailarinos”, conclui.

 

Projetos

Além de viajar com ‘Trans Point’, o bailarino terá sua vida contada em ‘Thiago Soares – um sonho real, o musical’. O próprio Thiago criará as coreografias do espetáculo, idealizado pelo jornalista Carlos Jardim, que assina o texto juntamente com Flávio Marinho e Ângela Chaves. Está prevista ainda uma autobiografia, que conta sua história desde seus primeiros passos na dança até tornar-se um dos mais importantes bailarinos brasileiros.

E Thiago celebra um feito inédito para as artes brasileiras. Ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da Kings College London (uma das mais prestigiosas universidades londrinas), além de tornar-se membro do Conselho Consultivo da King´s Brazil Institute, justamente no ano do décimo aniversário da Instituição, vinculada à King´s College London.

 

Os muitos saltos de Thiago Soares

Thiago Soares é um dos mais importantes bailarinos brasileiros, com mais de 20 anos de carreira internacional. Já dançou em grandes teatros como La Scala de Milão, Ópera de Roma, Metropolitan Opera House, de Nova York, Bolshoi, de Moscou, e o Royal Opera House, em Londres, entre outros. É o único brasileiro ganhador da medalha de ouro do concurso internacional de dança, do Teatro Bolshoi, e da medalha de prata no concurso internacional de dança de Paris. Possui ainda a Ordem do Mérito Cultural, mais alta honraria concedida pelo governo brasileiro na área cultural.

O bailarino dançou com as maiores estrelas da dança mundial como Svetlana Zakharova, Marianela Nuñez, Sylvie Guillem, entre muitas outras. Foi tema de documentários, como ‘Primeiro Bailarino’, da HBO, além de um novo longa metragem da Globo Filmes, em fase de produção.

O artista mantem residência fixa em Londres, mas permaneceu este período no Brasil, para a implementação do Studio TS + Dança e do Projeto ‘Talentos’. Ele seguirá nos principais palcos do mundo, fazendo colaborações com o próprio Royal Ballet, seja como bailarino convidado ou mesmo coreógrafo e professor.

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